Cibele Cristina Ferreira
Eu conheci o Projeto Tesourinha através de uma grande amiga na qual há muitos anos atrás; logo que o projeto se iniciou ela fez o curso lá e, hoje em dia, é uma excelente profissional na área da beleza.
Peguei o número do telefone com ela e ao ligar, a recepcionista me deu a data de inscrição, o que era necessário e como chegar lá (já que eu morava num lugar distante e fora de mão). Quando chegou a data, foi até lá sozinha e após uma boa caminhada, consegui chegar.
Me surpreendi; pois nunca tinha visto um lugar tão humilde, com tantas pessoas educadas e gentis. Eu estava indecisa, então optei pelo curso de cabelo; porém, não consegui passar.
Fiquei muito triste, gostaria de entrar naquele lugar. Então chamei o Esmeraldo, expliquei a ele o que se passava e ele me aconselhou a fazer o curso de manicura/pedicura. Novamente fiz minha inscrição – desta vez temerosa – mas, graças a Deus, consegui passar.
Comecei o curso sem noção alguma. Fui a primeira turma da professora Márcia que, muito carinhosa e paciente começou a nos ensinar e passar seus conhecimentos.
Era uma turma de 20 meninas (mais ou menos). Pensei muita vezes em desistir no meio do caminho, ás vezes eu me perguntava se valia a pena levantar tão cedo, pegar ônibus lotado, fazer uma longa caminhada, ás vezes “engolir broncas” por fazer ou falar algo errado, aprender aquele monte de nomes e doenças estranhas, o cabelo preso e mantendo sempre a postura e ética... Eu me lembro que a professora Márcia nos dizia sempre: “uma vez que começarmos algo, procuremos sempre concluir; caso contrário, nunca venceríamos na vida”. Por esta e outras frases é que eu tirava forçar e continuava.
Passando algum tempo, entramos na aula prática e comecei a manicurar em casa, na casa de vizinhos, parentes e levava o meu material para a escola para manicurar as minhas amigas no horário do intervalo. Instruída pela professora Márcia, cobrava bem baratinho, só para pagar o ônibus para o curso; pois se tem uma coisa que aprendi e jamais me esquecerei é que primeiro se visa a experiência, depois o dinheiro – pois, o dinheiro é conseqüência de uma boa experiência.
Cinco meses se passaram, fui aprovada; mas fiquei um pouco perdida por não saber por onde começar. Foi quando a Rita me chamo para fazer um “estágio” no salão dela e entramos num acordo que eu aceitei.
Trabalhava de terça á sábado, com um salário mensal de R$ 200,00. Muitos diziam que eu era boba por trabalhar tanto por tão pouco; mas eu sempre lembrava que “dinheiro é conseqüência de uma boa experiência”.
Hoje eu sei que a Rita sabe disso tão bem quanto eu; pois devemos “ensinar a pescar e não dar o peixe”; só assim poderemos ajudar alguém a vencer na vida e, com certeza, aprendi dentro do projeto.
Falei com a Rita que gostaria de fazer o curso de depilação e tive muito incentivo da sua parte. Fiz minha inscrição e lá fui eu novamente começar tudo de novo; Nesse curso conheci a professora Ana Amélia, que também foi uma ótima educadora; passando para nós seus conhecimentos, com muito amor e paciência. Logo em seguida tive a oportunidade de fazer um estágio no projeto, onde consegui dar o meu primeiro passo “sozinha”; participei de muitos eventos – inclusive da Hair Brasil – com tudo isto passei a ver a vida com outros olhos. No período em que fiquei no projeto, fiz muitos cursos de aperfeiçoamento; onde tive muito incentivo das professora Márcia e Ana Amélia.